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Detentas de Rio Claro confeccionam perucas para mulheres e crianças com câncer

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Quatro mulheres do Centro de Ressocialização (CR) de Rio Claro, interior de São Paulo, estão confeccionando perucas com cabelo humano para doar à Rede de Combate ao Câncer, ao Grupo de Apoio à Criança com Câncer (Gacc) e aos portadores de alopecia. As confecções acontecem durante a noite, duas vezes por semana, no horário livre das reeducandas, que trabalham durante o dia. A oficina ganhou o nome de Lara Sales da Costa e as aulas começaram no mês de agosto e seguiram até outubro.

A iniciativa aconteceu por meio de uma parceria entre o CR e o Grupo ‘Mais Vida’, existente há nove anos, formado por 20 pessoas que trabalham voluntariamente, não possui fins lucrativos e atua na organização de palestras e campanhas para doação de sangue e cadastramento para doação de medula óssea. A prefeitura municipal de Rio Claro está apoiando a ação e por meio do Fundo Social de Solidariedade (FSS) doou três máquinas industriais de costura. As aulas são terças e quintas, das 19h às 21h, na unidade prisional. Todos os materiais para a tecedura de cabelos são fornecidos pelo Grupo ‘Mais Vida’.

Segundo Luciana Santos, uma das idealizadoras do grupo, todo o cabelo utilizado para confeccionar as perucas é fruto de doação espontânea das pessoas que se sensibilizam com o trabalho voluntário. “Estamos com grande quantidade de mechas de cabelos, arrecadadas através da doação e necessitamos de mais pessoas para tecerem os cabelos”, enfatiza a voluntária.

Luciana disse ainda que incluíram as presas nesse projeto, porque além de ajudar ao grupo na produção de perucas, elas também terão a oportunidade de aprender uma nova profissão. Para a diretora do CR, Maura Batista da Cruz, essa ação é uma grande oportunidade de mostrar que, apesar da condição em que se encontram, as reeducandas podem ajudar alguém que está passando por um grave problema de saúde.

Visando ajudar também as presas, a diretora solicitou ao juiz corregedor do Departamento de Execuções Criminais (Deecrim), da 4ª região administrativa judiciária, Luís Augusto Barrichello Neto, a concessão de remição de pena, o que foi concedido prontamente. Assim, as encarceradas estão aprendendo o ofício com uma costureira profissional para depois ensinarem as outras presas que tenham interesse em participar das confecções futuramente. “A ideia é ter 10 voluntárias na oficina e ajudar tanto quem vai receber as perucas quanto quem irá confeccioná-las. Uns lutando pela liberdade enquanto outros lutam pela vida”, finaliza a diretora do CR.

Oficina de Perucas Lara Sales da Costa

O grupo ‘Mais Vida’ homenageou a oficina de peruca com o nome da pequena Lara. O bebê nasceu com problemas de saúde e precisou passar por um transplante de medula óssea, doada pelo próprio pai. A recém-nascida lutou pela vida até 1 ano e 9 meses, quando tudo parecia ir bem, a criança teve uma infecção e morreu. Hoje a mãe de Lara participa do grupo como forma de homenagear a filha e ajudar as pessoas que precisam.

Lara Sales da Costa deixou um legado de inspiração e luta pela vida não só para familiares e amigos, mas para todas as pessoas que cuidaram dela enquanto ela permaneceu no hospital. A motivação ainda segue e tomou conta das futuras costureiras do CR.

“O que me motivou a fazer parte da oficina foi a história da pequena Laura. Quando eu fiquei sabendo sobre a homenagem, fiquei emocionada. Nós mulheres temos a vaidade natural dos nossos cabelos, e ai fiquei imaginando o sofrimento que é, não tê-los. Então, para mim é gratificante poder ajudar alguém a recuperar a autoestima, e devolver o sorriso”, afirma P.A.N, voluntária.

Para A.C.S.D, além da emoção, é uma oportunidade de se colocar no lugar do outro e aprender a desenvolver a empatia e o respeito ao próximo.

Fonte: Secretaria de Administração Penitenciária SP

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